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SEXTA-FEIRA DA PAIXAO - Descimento da Cruz e Procissão
de Nosso Senhor Morto
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| Na Sexta-Feira da Paixão, as cerimônias começam às 3.00 da tarde com a Adoração da Cruz e a Missa dos Pré-Santificados. Nestas celebrações o coral tem um repertório próprio que inclue o tractus 'Eripe me', de Padre João Baptista Lehmann, bem como Venite e o moteto Popule Meus de compositores deconhecidos. | ||
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| O momento principal da Semana Santa, contudo,
ocorre à noite com a cerimônia do 'Descimento
da Cruz', que é seguida pela Procissão de Nosso Senhor
Morto. O Descimento é feito diante da Catedral na presença
de uma grande multidão. Durante a cerimônia uma imagem grande
de Cristo com braços articulados é retirado da cruz e colocado
num esquife aberto e levado em procissão pelas ruas da cidade.
De acordo com uma devota campanhense: "O Descimento é o momento mais triste da Semana Santa. A gente pode ver como Jesus sofreu. Eles tiram a coroa de espinhos e até parece que a gente vê o sangue escorrer. ... Tiram os cravos, um por um. Que dor! E os braços descem, um depois do outro. Ai os pés. E a dor da mãe dele, da Nossa Senhora, então?" A dramatização atual continua a gerar sentimentos similares aos do final do século 19 descritos pelo campanhense Francisco de Paula Ferreira de Resende, que em suas memórias disse que a sexta-feira da paixão feria "os sentimentos com objetos unicamente tristes e mais ou menos lúgubres, enchia-nos a alma de uma dor pungente que de alguma sorte a acabrunhava e ao mesmo tempo enchia de remorsos. E com efeito, como era solene e triste, naquela imensa igreja que se chamava a Matriz da Campanha, meio obscurecida e atulhada de povo, o ver sair, não se sabe donde, alguns padres, todos cobertos de branco até a cabeça; e em silêncio, com o passo vagaroso e de um modo em que tudo respirava o mistério, dirigem-se ao calvário; e ali chegando e depois de contemplarem por algum tempo o Cristo que ali se achava suspenso entre dois ladrões, e com a cabeça pendida e os braços abertos parecia chamar a si a humanidade inteira; em seguida, colocarem escadas ao madeiro em que ele estava pregado; com o martelo tirarem-lhe os cravos; com o auxílio de toalhas descem-no da cruz; colocarem-se em um esquife; e tomando a este sobre os ombros, o conduzirem em procissão, até que vinham afinal na volta colocarem-no no sepulcro que para ele já se tinha preparado! E que procissão! "Calados os sinos que nunca se calam e nesse dia ficam surdos, a procissão sai da matriz, não simplesemnte calada mas em um como que furtivo segredo; e mostrando um tudo quanto à forma, um ar verdadeiramente misterioso e santo, essa tão solene procissão vagarosa caminha por entre as trevas que envolvem a natureza inteira; e sempre silenciosa percorre as ruas da cidade sem que outra voz se ouça senão a voz da Verônica, que trepada sobre um tamborete de espaço em espaço a todos pergunta se há uma dor que se possa comparar à sua e que então lacrimosa a todos mostra a sanguentada imagem do Divino Salvador: ou então a voz da música que nos mais melancólicos acordes chora em surdina a morte de um Deus e a imensa grandeza do pecado do homem. E como se no meio de toda essa imensa tristeza nada devese faltar que nos recordasse todos os pontos desta tão triste história, nessa procissão nada falta que de perto ou que de longe se entrelace com o grande mistério da redenção. Aqui é Izac, por exemplo, que leva às costas o seu pequeno feixe de lenha, ali é Madalena arrependida e toda desgrenhada que chora os seus pecados e a saudade d'Aquele que a perdoou; mais adiante são ainda as Behús ou o discípulo bem amado que em um livro que leva aberto vai escrevendo o evangelho; até que a procissão entra na igreja; o corpo é deposto no sepulcro; um centurião, o guarda e o vigia com os seus soldados; e no meio do sermão que a tudo isto se segue, abre-se de repente a cortina da capela-mor; e o calvário de novo aparece, mas agora já todo iluminado e coberto de anjos." |
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| Embora alguns elementos da descrição acima já não façam mais parte das práticas da sexta-feira em Campanha, o ambiente de contemplação, tristeza e mistério continuam presentes. Ouve-se ainda o Canto da Verônica em vários momentos ao longo do trajeto, bem como as marchas fúnebres. | ||
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| O canto da Verônica é seguida imediatamnte pelo canto das Behús, ou Três Maria, Heu! Domine, Salvatore noster (Senhor, nosso Salvador), que é seguida por Pupille, música também composta por Manoel Dias de Oliveira. | ||
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| Na Catedral o coral canta Sepulto Domino. | ||
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| Os fiéis então formam fila para beijarem e se benzerem na imagem de Nosso Senhor Morto. | ||
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